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xi-coração
Beguinha
terça-feira, 5 de maio de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
O quê?!!! Gastaste esse $$$$ todo nesse casaco???
Através da moda é possível conhecer e analisar mais a fundo a história e os costumes de um país, de uma região, de uma raça, de um período político.
Através da moda é possível estabelecer um diálogo sem trocar uma só palavra, já que o olhar traduz signos implícitos nas vestimentas, que muitas vezes, fazem parte de uma espécie de idioma universal do qual não é preciso ser fluente ou especialista para entender.
Apesar de algumas pessoas pensarem que moda é futilidade, teóricos comprovam que moda é, acima de tudo, comunicação.
Para quem diz que moda é algo fútil, desnecessário, coisas de “mulheres” que não têm o que fazer, há teóricos que discordam. A moda é um fenómeno sociocultural que expressa os valores de uma geração num determinado contexto social. É através da moda que o indivíduo se identifica socialmente, à medida que se diferencia do todo. ‘Com a moda começa o poder social dos signos ínfimos, o espantoso dispositivo de distinção social conferido ao porte das novidades subtis’ (Gilles Lipovetsky, O Império do Efémero).
Segundo Michel Maffesoli ‘é preciso reter o fato de que as roupas são máquinas de comunicar. O que é certo é que essas estruturas antropológicas, que é a aparência, é causa e efeito de uma intensificação da actividade comunicacional.’
A moda não funciona sozinha e engloba diversos outros campos como: a arquitectura, a linguagem, o design, os gostos e ideias e obras culturais. A partir do momento que estamos fazendo uso de certa indumentária, adquirindo hábitos e seguindo padrões para nos ajustarmos a realidade que nos rodeia, estamos também produzindo e respondendo, mesmo sem perceber, aos estímulos da moda.
A geração dos anos 70 é um exemplo claro de como o modo de se vestir reflecte as condições socioculturais, a chamada época dos hippies, transmitiam paz e amor por meio de roupas alegres e coloridas, demonstrando sensibilidade, ao mesmo tempo em que expressavam seu repúdio perante os regimes ditatoriais em países como o Brasil, Chile e França.
O jornalismo tem uma função social e um compromisso com os seus leitores, que é o dever de informa-los. Mas é com muita pena minha, que a impressa não o faça no que concerne à Moda.
Moda é comportamento,
É arte
É (re)construção
É interpretação e imaginação.
Pode reflectir uma história,
Com poesia
Humor
Por isto, o casaco adquirido não foi assim tão caro, se reflecte a intenção de comunicar com o outro e mostrar o meu ‘eu’.
Por isto, ‘o tempo que perdes a vestir’ não é uma perda, se consigo construir O cenário para o desenrolar da história.
Porque em cada peça há um porquê, porque em cada acessório há um significado, porque cada visual é uma maneira de obter conhecimentos acerca do nosso “eu”, acerca dos outros e sobre a realidade vivida por cada um.
Mas e o lado consumista, questionam-me a seguir. O consumo é uma necessidade de preenchimento.
Hoje li um texto que mostrava o consumidor como uma cobra que se deixa encantar pela música tocada pelo tocador de flauta. O problema é que a cobra não se deixa encantar, muito menos pela música. São os dedos do tocador de flauta que a colocam, instintivamente, naquela posição de alerta. Ainda assim, a imagem é interessante e eficaz. Nas sociedades modernas o que encanta o consumidor não é a música que lhe tocam. Não acredito, enquanto consumidor, que exista de facto esse tal encantamento. Parece-me antes que, tal como na cobra, há um estado de alerta instintivo. O cidadão consumidor, no fundo, não consome na base do encantamento. Consome para se defender do vazio. Esse acto de encher a casa de coisas inúteis, de esbanjar dinheiro em porcarias, é a sua defesa do vazio. Ele sente-se preenchido, vendo o mundo à sua volta preenchido. E esse estado de alerta é provocado, não pela sinfonia consumista da actualidade, mas pelas forças que compõem a própria sociedade. É como se, desde muito pequenos, nós fôssemos um alvo permanentemente atingido pela ideia desse tal vazio. Ela é-nos incutida pelos nossos pais, quando nos reforçam certos comportamentos com ofertas materiais. É-nos incutida pela escola, quando se materializa num valor matemático o esforço de um ano inteiro. É-nos incutida pelo estado, na medida em que toda a nossa relação com a sociedade está alicerçada no binómio produzir-consumir. Numa sociedade onde o sucesso se confunde permanentemente com a posse, e a posse é o princípio básico do poder, pouco mais há a pedir aos cidadãos senão que preencham o seu vazio adquirindo. E nisto nada há de encantatório. É tudo necessidade.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
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